quarta-feira, 25 de julho de 2012

Saúde

Diretor do programa nacional de Aids sugere aos EUA seguir o Brasil e criar um sistema público de saúde.

Participando de uma mesa com representantes de outros países emergentes (China, África do Sul e Índia), o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Dirceu Greco, disse, em Washington, que os Estados Unidos deveriam fazer como o Brasil e criar um sistema universal de saúde.
“O acesso à saúde é um direito de todos no Brasil. Temos mais de 100 milhões de pessoas usando gratuitamente nossos serviços públicos de saúde”, disse Dirceu, provocando aplausos na plateia.

Dirceu iniciou seu discurso afirmando que os países emergentes têm várias características em comum, como, por exemplo, o grande número de pessoas que não podem pagar por serviços de saúde.

Ao falar da estruturação do programa brasileiro de combate à Aids, ele enfatizou a participação da sociedade civil e das pessoas vivendo com HIV nas tomadas de decisões. “Aqueles que faziam parte dos problemas nos ajudaram a pensar nas estratégias”, comentou.
Segundo o infectologista, a resposta à aids no Brasil se tornou uma política de Estado e não de governo, por isso o país consegue manter as bases do programa de Aids mesmo com as mudanças de ministros e presidentes.
Ele citou ainda a liderança do Brasil ao passar a fabricar nacionalmente alguns antirretrovirais e preservativos, ao decretar a licença compulsória do Efavirez e ao apoiar financeiramente Moçambique na construção de uma fábrica de medicamentos antiaids naquele país africano.

“Nós, dos países aqui reunidos, precisamos manter um intercâmbio frequentes para troca de experiências e tecnologias na área da saúde”, propôs.

Por fim, ele citou, entre os principais desafios do Brasil, o combate ao estigma e a discriminação contra os soropositivos e a busca constante para melhorar o atendimento às pessoas com HIV desde o momento em que elas se descobrem infectadas com o vírus da aids.

Sobre a distribuição ininterrupta dos medicamentos antirretrovirais no país, Dirceu disse que “tem conseguido dormir ultimamente”, referindo-se ao fato de que hoje não há nenhum problema na oferta dos remédios contra a Aids.

Participaram também do debate representando seus respectivos países, o ex-presidente sul-africano Kgalema Petrus Motlanthe e a ministra da Saúde da Índia, Ghulam Nabi Azad. O economista norte-americano Jeffrey Sachs, da Universidade de Columbia, ajudou na intermediação das discussões.